terça-feira, maio 24, 2011

Ele não se alterou

Aquele velhinho aos seus oitenta anos não deixou de ser simpático. Acredito que ele teria essa idade. E para variar continuo observando os olhares e vivências das pessoas que dividem o mesmo espaço que eu. Esse é o poder das crônicas. O poder de observar sem interferir ou aconselhar em algum fato.
Sete horas da manhã, aos gritos da minha cama. Embarco em mais um ônibus lotado. Fazia tempo que eu não me preocupava com as palavras de terceiros em relação a meu caráter. Acredito em poucos amigos e isso tem me bastado na conquista de novos.
Cabelos brancos, rugas acentuadas e olhos convincentes. O idoso se recusou a sentar. O julguei de sistemático. E meio insegura caso ele caísse em alguma parada. Já que o motorista estava em alta velocidade. Continuando o trajeto ele se mostrou até mais firme do que eu, que estava sentada. Eu pensava que naquela crônica não iria interferir na história. Disfarçava ao olhar mais detalhes daquele contexto. Mas tive um pingo de participação. Ao sair, pisei em um dos seus pés, sem intenção. Posteriormente, pedi perdão. E a surpresa da sua reação foi impagável. Ele sorriu. Foi tranquilo, espontâneo e sereno.
Aquele sorriso fez diferença para o meu dia. Aparentemente não havia motivos para gentilezas. Aliás, não se deve existir motivos para ser educado. Me lembrei da doçura de Jesus. Aqueles conceitos errados que tenho quando estou impaciente. As convivências com pessoas que nos trazem ao exercício contínuo de domínio próprio.

2 comentários:

  1. Nunca concordei tanto com "...não se deve existir motivos para ser educado."
    Você é um doce, e não procura motivos pra isso!

    Beijinhos, saudades

    ResponderExcluir
  2. Oi Isa!
    Que bom receber um recadinho seu!!
    Gostei de sua reflexão!
    Beijinhos e obrigada pela visita e carinho!
    Volte mais vezes!
    Deus a abençõe!
    Jesus é a doçura em pessoa!
    Ana Carla

    ResponderExcluir